João Cunha

João Cristiano Rodrigues Cunha

Doutorado (Ph.D.) em Música pela Universidade de Aveiro e Mestre (M.Sc.) em Educação Musical pela Universidade do Minho, adquiriu formação científico-pedagógica especializada de elevado prestígio internacional em Orff-Schulwerk na Alemanha, Áustria, Canadá, Espanha, Estados Unidos da América, Finlândia, Grécia, Holanda, Hungria e Inglaterra, tendo sido bolseiro de entidades com a Fundação Calouste Gulbenkian, a Asociación Orff España ou a AOSA - American Orff-Schulwerk Association.

Investigador do INET-md, Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos em Música e Dança (Universidade de Aveiro - DeCA | Universidade de Lisboa - FMH e Universidade Nova de Lisboa - FCSH)

Professor de Música/Educação Musical ao nível da Educação Pré-Escolar, dos Ensinos Básico, Secundário e Superior e Formador de Professores nas áreas da Música/Educação Musical. Na atualidade, lecciona no Agrupamento de Escolas Emídio Garcia (Bragança) e, de 2008 a esta parte, no Departamento de Educação Musical da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança, onde, por convite, se encontra equiparado a Assistente.

Autor (livros/capítulos/artigos/comunicações/workshops) em Conferências, Congressos e Simpósios nacionais e internacionais (Áustria, Espanha, Estados Unidos da América, Grécia, Inglaterra), foca a sua área de interesse e investigação na Orff-Schulwerk - abordagem pedagógica que visa o desenvolvimento holístico da Pessoa Humana, unindo Linguagem, Música, Movimento e Dança - .

Em paralelo com a carreira docente e investigativa, fundou, em 2014, a ‘Universidade  Sénior de Vinhais’ (RUTIS), na qual assume funções de Professor e Diretor.

Informação detalhada orcid.org/0000-0001-7216-8396

http://www2.fcsh.unl.pt/inet/researchers/jcrcunha/page.html

 

 

 

 

 

APRESENTAÇÃO   

 

Resumo

 

No sentido de propiciar a reflexão, enquanto desafio transversal e permanente à docência, seu(s) valor(es) e prática(s), a presente comunicação visa apresentar e discutir a relevância da abordagem pedagógico-musical Orff-Schulwerk (OS) na Educação Artística da atualidade. Numa sociedade pós-moderna e multicultural, na qual contínuos avanços tecnológicos atravessam a ação pedagógica, a abordagem OS procura enriquecer o desenvolvimento holístico (integral e integrado) da Pessoa Humana, tendo como alicerce a existência inata de sua musicalidade. Nesse sentido, assumindo o corpo humano como natural (elementar e principal) fonte de criação e vivência expressivo-artística, esta abordagem deve ser entendida como um campo de experiências pedagógico-musicais grupais que, retomando a riqueza e o poder do elemento ritmo, unem palavra (expressão rítmico-linguística), música e movimento/dança.

Para além de aspetos históricos e princípios filosófico-pedagógicos basilares à abordagem OS, procurar-se-á, em conformidade com os objetivos do ‘II Encontro de Boas Práticas Educativas’, “divulgar o impacto de projetos e práticas pedagógicas dinamizadas por Professores” e, por conseguinte, “aprofundar a reflexão sobre a natureza e âmbito de boas práticas educativas”. Assim, serão abordados e discutidos ‘indicadores de fluxo’ vivenciados em contexto de Educação Musical (2.º Ciclo do Ensino Básico), resultantes de uma investigação-ação implementada com base na abordagem OS, epistemologicamente alicerçada na Flow Theory e na ocorrência de ‘estados de fluxo/experiências ótimas’ (Csikszentmihalyi, 1975, 1982a, 1982b, 1990, 1997, 2002). Neste contexto, foi desenvolvido o conceito de ‘Eu Musical’ que, devidamente enquadrado no ‘MoMEuM - Modelo Multidimensional de Eu Musical’ (Cunha, 2013; Cunha & Carvalho, 2012; Cunha et al., 2015)[1], engloba aspetos físicos, sensoriais, psicológicos, cognitivos e sociais. Empiricamente, recorreu-se ao AFIMA - Adapted Flow Indicators in Musical Activities, enquanto instrumento de recolha de dados originalmente concebido nos Estados Unidos da América (Custodero, 1998, 1999, 2005), posteriormente adaptado a Portugal (Cunha, 2013)[2]. A análise de dados desenvolveu-se de forma mista (quantitativa/qualitativa), tendo presentes os três parâmetros que constituem o AFIMA: a) ‘Indicador afetivo’; b) ‘Indicador relação desafios e capacidades/conhecimentos’ e c) ‘Indicador subjetivo’.

Os resultados obtidos indicam que, em contexto de Educação Musical (2.º Ciclo do Ensino Básico), práticas baseadas na abordagem OS potenciam a ocorrência de ‘estados de fluxo/experiências ótimas’, as quais, no quadro do ‘MoMEuM’, conduzem ao desenvolvimento do ‘Eu Musical’. Neste particular, tendo presente que, de acordo com Regner (2001)[3], “os homens são capazes de fazer melhor que as máquinas certas atividades: inventar uma rima, cantá-la e criar melodias e acompanhamentos. E, ainda por cima, podem fazer tudo isto em grupo” (Regner, 2001:3), é pertinente questionar a galopante (não raras vezes, desumanizada) atualidade tecnológica que vivemos e, quiçá, retomar a Educação Artística Elementar que, em boa verdade, é de todos os tempos e de todas as idades.

 



[1] Cf. Anexo 1: ‘MoMEuM - Modelo Multidimensional de Eu Musical’ (Cunha, 2013, Cunha et al., 2015).

[2] Cf. Anexo 2: AFIMA - Versão adaptada a Portugal.

[3] Tradução de autor de: “Los hombres todavía somos capaces de hacer mejor que las máquinas ciertas actividades: Inventar una rima, cantarla y crear melodías y acompañamientos. Y, además, todo ello podemos hacerlo en grupo” (Regner, 2001:3).