Graciete Henriques

Licenciada em Psicologia Organizacional, Vertente Educação pelo Instituto Superior de Línguas e Administração de Bragança.

Entre 01/05/2009 e 14/01/2010 realizou estágio profissional na Clínica Brigantina enquanto Psicóloga Educacional. Nos anos letivos 2009/2010 a 2011/2012 desenvolveu funções de Técnica de Intervenção Local numa turma PIEF no Agrupamento Vertical de Escolas de Macedo de Cavaleiros. Desde o ano letivo 2012/2013 encontra-se a desenvolver funções de Psicóloga Educacional no Agrupamento de Escolas de Mogadouro. Neste Agrupamento implementou os Projetos “Intervenção para a Redução do Absentismo” e «”Ler” bem para ir mais além» desde 2013/2014. 

 

APRESENTAÇÃO    

 

Resumo da comunicação

"Projeto Ler bem para ir mais além"

 

A aprendizagem da leitura e da escrita, no início da escolaridade básica, é considerada um dos processos mais complexos com que as crianças se deparam, envolvendo uma variedade de competências e conhecimentos. Que na maior parte das crianças requer alguma forma de instrução explícita. Assim, o Agrupamento de Escolas de Mogadouro, consciente da importância e impacto da aprendizagem da leitura da escrita no posterior desempenho académico dos alunos, pretende com o Projeto «”Ler” bem para ir mais além» apostar numa intervenção de promoção e prevenção, por oposição a uma lógica remediativa.

O projeto teve início no ano letivo 2014/2015 sendo dirigido a todas as crianças em idade de transição para o 1.º ciclo que na avaliação inicial apresentassem um nível de mestria abaixo do esperado para a sua idade (inferior a 80%).

Pretende-se com a implementação do projeto mobilizar os diversos agentes educativos com o objetivo de trabalhar competências pré-leitoras em crianças na idade de transição para o 1.º ciclo, facilitando a aquisição posterior da leitura e da escrita, bem como detetar de forma precoce crianças em risco educacional nestes dois fatores (leitura e escrita).

Às crianças em idade de transição, com o intuito de se proceder à avaliação das competências linguísticas, foi utilizado, no ano letivo transato, o Teste de Identificação de Competências Linguísticas (TICL) em dois momentos distintos. Este instrumento permitiu avaliar as competências pré-leitoras, designadamente o conhecimento lexical, morfo-sintático, a memória auditiva e a reflexão sobre a língua de crianças que ainda não iniciaram a aprendizagem formal da leitura e da escrita. No ano letivo 2015/2016 recorreu-se a duas provas distintas, designadamente a Bateria de Provas Fonológicas de Silva (2008) e as Provas de Nomeação e de Compreensão de Estruturas Complexas (Sim-Sim, 2004). Com as referidas provas avaliaram-se variáveis preditoras do sucesso na aprendizagem da leitura e da escrita como os conhecimentos lexical e morfo-sintático e a consciência fonológica (análise silábica e classificação com base na sílaba inicial).

Após esta avaliação foram criados dois grupos: um com crianças que apresentaram um nível de mestria esperado para a idade (n=8) (Grupo de Controlo) e outro com as crianças que apresentaram um nível de mestria abaixo do esperado para a idade (n=29) (Grupo de Intervenção).

Ao longo dos 2.º e 3.º períodos, do ano letivo 2014/2015 foram desenvolvidas, pela técnica de psicologia, sessões de intervenção semanais junto das crianças que pertenciam ao Grupo de Intervenção, com duração de 35 minutos. No ano letivo 2015/2016, a intervenção assentou nos diferentes domínios pré-leitores: leitura de uma história; exploração do texto; reflexão morfo-sintática; treino da consciência fonológica (análise silábica; classificação com base nas silabas iniciais e finais e supressão silábica); e escrita inventada.

Após o término da intervenção (educadoras e técnica) as crianças foram novamente avaliadas com o intuito de verificar a evolução das competências pré-leitoras nas crianças cujo nível inicial era inferior.

 

Da análise estatística efetuada, do ano letivo 2014/2015, verificou-se que ao nível do Grupo de Controlo houve uma pequena evolução dos valores médios entre os dois momentos de avaliação em todas as provas à exceção da prova Memória Auditiva. Isto poderá ser explicado pelo facto de não ser dada grande importância à estimulação da referida competência. Quanto ao Grupo de Intervenção a evolução média foi mais acentuada em todas as provas, sendo que na prova denominada de Reflexão sobre a Língua a discrepância existente no primeiro momento de avaliação foi bastante atenuada com a intervenção aproximando-se significativamente do Grupo de Controlo. Nas restantes provas a discrepância existente entre os dois grupos no primeiro momento de avaliação reduziu para metade, no segundo momento de avaliação. No sentido de verificarmos o impacto da intervenção a nível individual, analisámos as diferenças entre os resultados finais e iniciais. Distribuindo os resultados de acordo com o desempenho inicial das crianças, constatou-se que ocorreu uma maior evolução nas competências pré-leitoras nas crianças cujo o nível inicial era inferior (Grupo de Intervenção).